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segunda-feira, 17 de junho de 2013

HOAX: o vírus da mentira

Ele chega de mansinho, querendo fazer você acreditar em tudo, e quase lhe convence. Saiba como identificar os hoaxes e se livre das mensagens falsas que se espalham na internet
Se você costuma usar a internet, já deve ter visto muitas lendas urbanas. Agora, se você não costuma ficar conectado em Twitter, Facebook ou no quase falecido Orkut, basta lembrar daquelas histórias de quando éramos crianças sobre a noiva do espelho, o homem do saco, bicho-papão e tantas outras que pareciam grandes verdades, mas que só faziam parte de uma brincadeira, às vezes, de mau gosto. Na internet, isso acontece praticamente todos os dias e tem um nome. É o hoax – pronuncia-se “rôuquis”. São as mentiras da internet, tentativas de enganar um grupo de pessoas por meio de uma farsa.

Para chamar a atenção dos internautas, os hoaxes são produzidos com a intenção de seduzir ou emocionar. No microblog Twitter, por exemplo, site em que as pessoas só têm 140 caracteres para escrever sobre o que quiserem, é comum pessoas divulgando que algum artista muito conhecido morreu. Para isso, utilizam as iniciais RIP (Rest in Peace, ou: “descanse em paz”), e escrevem o nome de algum famoso logo depois. Em poucos minutos, rápido como a proliferação de um vírus, a notícia já se torna verdade. Não se pode confiar nem em fotos. A imagem de um peixe com cabeça de porco, por exemplo, circula como uma grande descoberta, mas é falsa.

A reportagem da Folha Universal conversou com o blogueiro e analista de sistemas Gilmar Lopes, conhecido por ser um pesquisador da web, praticamente um detetive das farsas da internet. No seu blog no R7, o E-Farsas.com, ele conta as verdades ou mentiras de diversos casos que circulam na rede mundial de computadores. Por ironia ou não, seu trabalho começou justo no dia 1º de abril, conhecido como Dia da Mentira. “Eu pesquiso isso desde 2002, na época das correntes que recebíamos por e-mail. E recebemos até hoje”, completa Lopes.


Para ludibriar, os hoaxes também provocam as pessoas para que elas se sintam culpadas. Um exemplo disso são mensagens que mostram imagens de crianças que sofrem de doenças graves. As fotos impressionam e, por isso, as pessoas tendem a ler a mensagem que as acompanha. “São notícias falsas, correntes, ou mensagens que pedem que você repasse para ajudar uma criança com câncer, por exemplo. Aparece muito isso no Facebook. Tem também aquelas que, para cada curtida numa foto, o Facebook doará uma quantia em dinheiro para aquela criança. Tudo mentira, porque o Facebook não dá dinheiro para ninguém”, disse Lopes.

Mentiras como a história da “mansão do Bispo Macedo” que, na verdade, é uma casa usada como locação para filmes, e já circulou como sendo do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe. Cada país tem sua versão da farsa. Outro hoax dizia que a igreja iria colocar no SPC os dizimistas “inadimplentes”.

E como identificar um hoax? Não é tão difícil como parece, porque essas lendas da internet têm quase sempre os mesmos ingredientes. “No caso de imagens suspeitas, é sempre bom você ficar atento às sombras. Se for falsa, pode ser que você encontre alguma falha de primeira. Se não, o Google tem uma ferramenta para procurar fotos semelhantes. Já achei muita coisa logo na primeira pesquisa”, conta Lopes. Outro aspecto bem comum das notícias falsas é citar instituições de renome, como universidades ou grandes hospitais. “É muito comum as notícias serem baseadas em um ‘nova descoberta da Nasa’ ou nos ‘ensinamentos da cultura milenar chinesa’. Ora, quem vai duvidar da Nasa?”, brinca o pesquisador. Para descobrir a verdade, o próprio hoax dá as pistas. Uma simples pesquisa sobre as instituições ou especialistas citados já pode ser o suficiente para desmascarar uma informação falsa. Sem esquecer que, no final desses hoaxes, sempre tem um apelo para as pessoas repassarem para o maior número de amigos, isso quando não há a ameaça de perder a sorte ou o grande amor, caso não seja repassado.

Agora que você já consegue ter uma noção de como fugir dessa armadilha, é bom saber como agir caso seja vítima de um hoax ou crime cibernético. De acordo com o site do advogado Jonatas Lucena, existe uma lei de crimes virtuais, de 2012. O artigo 154 da Lei 12.737 prevê pena de 3 meses a 1 ano de detenção para casos de invasão de dispositivo informático alheio. Muitos casos de hoaxes podem ser incluídos na definição de crime digital, segundo o advogado. “Crime digital ou cibercrime são práticas criminosas utilizando meios eletrônicos como a internet, através de aparelhos que têm acesso à rede para ações ilícitas como roubo, chantagem, difamação, calúnia e violações aos Direitos Humanos fundamentais”, diz o conteúdo.
Veja mais dicas de como identificar um hoax aqui.
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Polícia Federal
crime.internet@dpf.gov.br
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